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  • 1 Faculdade Dom Pedro II - São Carlos-SP (1928-2009)
    Acervo Valentim Gueller Neto
  • 2 Bonde da Carne São Carlos–SP (1912-1962)
    Acervo Raymond DeGroot
  • 3 Estação Ferroviária de São Carlos-SP (1925)
    Acervo Valentim Gueller Neto

Estação 108 - A FÁBRICA DE VELAS CARILE - SÃO CARLOS - SP

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São Carlos - SP teve sua primeira ou uma das primeiras fábrica de velas entre as décadas  de 1950 e 1970, na Rua Marechal Deodoro, Nº 2609, a VELAS CARILE. Na residência moravam os tios Tomaz Carile, Odila Cavasin Carile, a prima Maria Adelaide - a "Dade", e o avô dela, Miguel Carile que, para os primos, também era avô, o  vô Miguel.  E no quintal, a fábrica  de velas do tio Tomaz.      Foto 01                                                                                                                                    
                                                                                                             

Aquela residência fica próxima da Rua Campos Salles onde, na casa da esquina, existe uma máscara como se fosse apoio das molduras da calha.                             Foto 02 

E logo acima, na Rua Campos Salles,  esquina com a Rua Padre Teixeira, era a Estação dos Bondes da CPE - Companhia Paulista de Eletricidade,  onde o vô Miguel trabalhava, hoje Edífício Torre Di Itália. Naquela pequena região da Vila Nery, havia o  PEDAÇO DAS ARTES; a FÁBRICA DE VELAS CARILE, a máscara no vértice da casa e a Estação dos Bondes. Foto 03       
OBS: A faixa branca no poste  indicava o ponto do bonde.     

A fachada mudou, era com muros baixos, grades e portão no centro e, após ele, no quintal era onde acontecia a arte das velas.    Foto 04 

Em um barracão, tudo era artesanalmente fabricado com muita arte e extremo capricho.  Nas torrefações o aroma é de café, nas serrarias, de madeira e naquele quintal mágico, o aroma era das  velas.             Foto 05

Conhecedor de processos químicos, o tio Tomaz derretia  as borras de resíduos de velas oriundas dos cemitérios e das igrejas,  purificava, alvejava e se tornavam a base das novas velas.                          Foto 06   

 Ao material reciclado, era adicionado uma quantidade de parafina nova e ambos formavam a mistura para a fundição das velas.       Foto 07 

As fôrmas eram preenchidas uma a uma e             Foto 08 

o pavio era preso no centro do fundo da fôrma de gesso, esticado até o topo e preso com uma tala. Depois era fechada e dentro dela era colocada a mistura líquida e quente. Após esfriar e solidificar era mais uma vela pronta para o acabamento final.             Foto 09     

O pavio era de barbante de algodão fino, na época não havia mais grosso,         Foto 10   


e para torná-lo mais espesso, várias seções eram esticadas e torcidas por um berbequim.       Foto 11    

As velas mais produzidas eram as comuns também conhecidas por "palito" destinadas às        Foto 12                 

devoções, pagamento de promessas,    Foto 13   


iluminação de oratórios e casas principalmente rurais.       Foto 14        

Em meados dos anos de 1960, chegou naquela fábrica uma máquina para produzir velas palito e aquilo que era feito uma a uma nas fôrmas de gesso, passou a ser feito em série.        Foto 15  

Um dos principais locais que as velas palito CARILE eram encontradas, era na A ECONÔMICA, um armazém de secos e molhados que localizava-se na esquina das Rua Episcopal e Marechal Deodoro.                  Foto 16       

Um pouco depois, chegaram mais duas máquinas para velas longas e lisas, destinadas  a altares e funerárias.   Foto 17  

As velas para altar, além de expressar a fé, iluminavam a moradia da imagem.    Foto 18  

Para os velórios, havia as velas fabricadas  para as funerárias de São Carlos e também para as de São Paulo, que ficavam na Rua dos Andradas. Eram transportadas por  ele ou  enviadas  pelos ônibus da VIAÇÃO COMETA.     Foto 19  


Para a Primeira Comunhão,  as velas  todas decoradas para a grande festa religiosa.        Foto 20   

Para a cerimônia das velas nos casamentos, as velas  longas e brancas.     Foto 21 

Os batizados eram iluminados com  as velas brancas lisas ou torneadas e     Foto 22  

para a confirmação do batismo, as velas para as crismas.                                                                                    As velas litúrgicas eram comercializadas pelas secretarias das igrejas e livrarias religiosas da cidade.  Foto 23

As velas de 15 anos eram encomendadas pelos clubes da cidade para os bailes das debutantes ou pelas famílias quando a comemoração era na casa dos pais da aniversariante.     Foto 24     

E as VELAS CARILE iluminavam a  noite e a valsa das debutantes.   Foto 25 

Depois de fundidas, as velas torneadas e decorativas após serem retiradas das formas, eram rebarbadas para o alisamento das superfícies e como acabamento final, envernizadas ou banhadas com parafina líquida.  Foto 26   

E eram transformadas  em obras de arte, princialmente para os dias comemorativos.    Foto 27    

Algumas ainda ganhavam um filete de papel dourado ou prateado.      Foto 28  

As  palmas ou espadas de São Jorge completavam a linha das velas decorativas.     Foto 29    

E para as noites  do Natal e da passagem do ano,   as chamas das velas nos castiçais requintavam  as mesas das ceias .     Foto 30    

As velas decorativas CARILE eram encontradas nas duas principais lojas de presentes finos da cidade, a CASA MARICONDIque localizava-se no centro,  na Av. São Carlos, entre as Ruas Sete de Setembro e Marechal Deodoro.    Foto 31   

E a CASA SAADque localizava-se no centro, na esquina das Ruas Dona Alexandrina e Major José Inácio.                                                                                                                          OBS: A faixa branca no poste  indicava o ponto do bonde.     Foto 32  

Outro produto das VELAS CARILE era a CERA  LUCITA que concorria com as principais marcas da época; CARDEAL,                   COLMEINA e   PARQUETINA.      Foto 33 

A cor do rótulo indicava a cor da cera.                  A marca "LUCITA" foi uma homenagem à sobrinha Lúcia Helena Cavasin Zabotto Pulino que na família é carinhosamente cahamada de Lucita.    Foto 34 

Naqueles anos, enceradeira era artigo de luxo e para poucos.  Para lustrar os assoalhos após ser aplicada a CERA LUCITA, era usado o escovão.     Foto 35  

No início dos  anos 1970, a VELAS CARILE empreendeu mais uma vez e passou a fabricar velas para as religiões afro-brasileiras.  que mais pareciam obras de arte.  Foto 36   

Casais, que lembravam esculturas.    Foto 37  
Pombas da Paz que assemelhavam-se à porcelana.    Foto 38  
Iemanjá que parecia lapidação em vidro.  Foto 39 

Santo Antonio muito igual aos dos oratórios. 
  Foto 40


São Jorge que parecia trabalho em mármore.    
 Foto 41


São Cosme e São Damião que aparentavam serem vidrados.   Foto 42 

Anjo da Guarda, lembrava uma peça cerâmica esmaltada.     Foto 43

A cruz levava a crer que era em metal pintado.  Foto 44

A estrela lembrava uma luminária fluorescente.    Foto 45 

E a figa,  sugeria madeira entalhada e pintada.  Mas todas eram velas!      Foto 46

Mas os anos vão passando, a cidade vai sofrendo mutações e muitas coisas vão desaparecendo,  foi  o caso também da  VELAS CARILE  que, com o falecimento do ARTISTA, em novembro de 1976,  foi desativada, mas deixou muitas saudades para aqueles que a conheceram e para aqueles que  consumiam seus produtos. São Carlos perdeu parte da sua história fabril-artesanal.


CRÉDITOS:
FOTOS:
01 e 04: GOOGLE MAPS
02: Célia Patrizzi Verzola
03: Filemon Perez
05: SUL BRASIL 
10: AMAZON 
11: OLX
14: Daniel Gobato Röhm
16: Acervo - Valentim Gueller Neto
 17: WIKIPEDIA
18: ELISASTECA 
19: WIKIPEDIA - Diego Martin                  
20: ELO7 
21: BALIONIEVENTOS        
22:  PAZ E BEM 
25: FACEBOOK - DIVINOS EVENTOS                    
26: FACEBOOK - CIÇA LIMA ATELIER NO LAR                                                     
 27: ALIEXPRESS
 
28: MERCADO LIVRE  
31 e 32: FOTO ARTE - José João - "Alemão"
33 e 34: Marina Dino dos Anjos  -  Tratamento digital
36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45 e 46  : VELAS CATANDUVA
   

PARTICIPARAM:

Maria Nazareth, Daniel e Lika Röhm 
José Luis Cavasin Raschelli
Marco Antonio Cavasin Zabotto

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
Maria Adelaide Carile Doricci

Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente na Estação 109.
                                                         Abraços, Alfeo.

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Estação 107 - LEMBRANÇAS DE RIBEIRÃO PIRES NAS DÉCADAS DE 1950 e 1960

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Nos finais dos anos 1950 e 1960,  íamos passar as festas natalinas em Ribeirão Pires - SP. A ida era de trem, cheia de emoções pela CPEF - Companhia Paulista de Estradas de Ferro e a EFSJ -   Estrada de Ferro Santos - Jundiaí e a chegada uma festa com o reencontro com a vó Margarida, os tios Hugo e Nena, Valter e Mafalda,  Valim e Guiomar, Nilton e Filhinha e Nelson e Margarida e, respectivamente os primos Nancy e José Carlos, Ilza e Valtinho, Hydeli e Marcia, Ivana e Cleidinha, Elaine e Adriana. Com meus pais, Alfeo e Anita e os dois filhos, Sergio e eu, eram 6 irmãos Röhm, 6 cunhadas, 4 primos e 8 primas. Valim era o apelido, o nome dele era Durval, mas ninguém o conhecia pelo nome, Nena era como todos a chamavam, o nome dela era Eliza,  Filhinha é o apelido e o nome dela é Maria Apparecida, mas até ela se identifica pelo apelido e  José Carlos é o nome, mas na família ele é carinhosamente chamado de Nego. Foto 01

O primeiro reencontro era  com a vó Margarida Boaretto Röhm, no pavimento superior do sobrado,  na Rua Jorge Tibiriçá, Nº 16, hoje  Nº 184, SOLAR DOS RÖHM, ele continua lá e tem muitas histórias pra contar! No almoço do Natal, o prato mais esperado era a leitoa à pururuca preparada pela matriarca .  Depois, a semana era para os tios, tias, primos e primas. Em um dos dias da semana, chegava de São Paulo a tia Joana, irmã do falecido vô Gustavo Röhm. Ela era geniosa, austera e exigente, mas nos cobria de presentes, nos dava muitos conselhos e queria que os  12 sobrinhos-netos estudassem. Foto 02                                                                                                     

Além do reencontro familiar, para meu irmão e eu que eramos crianças, também o mais esperado era rever a fábrica de adornos natalinos que ficava no pavimento térreo do sobrado e que era dos nosso tios Ugo e Valim. Foto 03

Eram caixas e caixas de bolas, papais noéis,  sinos, pinhas, feitas em vidro e  as cores espelhadas enchiam os olhos e traziam muita felicidade! Crianças entrar na fábrica era proibido, mas para nós podia, só uma vez e bem rápido. Foto 04 






Tudo começava em um barracão no fundo com tubos de vidro,     Foto 05 


que eram aquecidos sobre a chamas dos maçaricos e depois soprados pelos maçariqueiros.  Foto 06 


Era uma produção artesanal, maçariqueiros lado a lado,  aquecendo os tubos de vidro e  soprando.  E para garantir o padrão de tamanho das bolas, havia um arco de arame.   Foto 07


Para os adornos com mais detalhes, como papais noéis, pinhas, peões, espigas de milho e ponteiras,  havia moldes semelhantes ao TOSTEX.          O tubo de vidro incandescente  era colocado dentro do molde aberto , depois era  fechado e  soprado.  Fotos 08, 09 e 10    

Depois de inflados, descansavam para o resfriamento,   Foto 11 
                      

Em um segundo ambiente,  dentro delas era colocado nitrato de prata para fazer o espelhamento interno.  Depois iam para uma máquina que, com três berços sobrepostos  faziam o agitamento do líquido para formar uma espelhação uniforme. Esse agitador era extremamente ruidoso! Foto 12 


Depois de espelhadas internamente, em um terceiro local,  os enfeites ganhavam uma cobertura externa com verniz com corantes e de prata espelhados, passavam para amarelos, vermelhos, azuis, dourados, verdes... Foto 13


Espelhados e envernizados,  iam para as salas de pinturas, onde moças faziam decorações incríveis! Foto 14



Pinturas detalhadas, realizadas por artistas,    Foto 15 
feitas através de seringas,  Foto 16 


e palitos.  Foto 17 


Os pequenos pincéis davam os retoques e em cada adorno ia sendo construído uma obra de arte para fazer a alegria do Natal. Foto 18  

Depois de prontos, ganhavam o protetor metálico
 com o anel para ser pendurado na arvore. 
Foto 19  


E  iam sendo organizados para a seleção do controle de qualidade,    Foto 20 

Nessa etapa, os produtos com pequenas imperfeições eram retirados,      Foto 21 

 e somente os produtos perfeitos,      Foto 22


é que eram     Foto 23


destinados às embalagens,   Foto 24 


 caixas de papelão Paraná.  Foto 25 

E em cada caixa,  os brilhos e os tons festivos do Natal.  Foto 26


Cada caixa aberta, era  uma nova emoção!   Foto 27


                             

E da roça, as espigas de milho.   Foto 28 

Peões, botas...,    Foto 29 

sinos, lamparinas, ... Foto 30 

efeitos especiais nas bolas,  com o vidro repuxado.   Fotos 31, 32 e 33
                                                                                   

Pinhas e laranjas.   Foto 34

Cogumelos, casinhas, tambores, cachos de uvas,  Foto 35

 

















lanternas japonesas,  Foto 36

e bolas aveludadas.  Foto 37

E, para a ponta da árvore
                   muito  difícil de ser modelada,      Foto 38
                                                                      
                                                                  a ponteira. Foto 39

Os festões tinham como suporte barbantes verdes torcidos que prendiam as fitas de raspa de madeira Pita,  tingidas de verde.  Foto 40


E as guirlandas para as portas de entrada, tinham uma armação de arame torcido que sustentavam as fitas de Pita.   Foto 41 
As árvores de Natal tinham uma estrutura central de madeira e os galhos
 eram com arames torcidos e fitas de Pita,  e com  a  ponteira,  quase que 
batia  no  teto.  A  decoração  natalina  mais  linda  ficava  pronta para a
 chegada do Papai Noel e a comemoração do aniversário de Jesus.  Foto 42 


A  produção de adornos natalinos  era anual,  começava entre entre janeiro  e 
 fevereiro,  para  que os  pedidos  fossem  entregues   entre outubro e novembro.
                   Os grandes clientes da ROTIZ eram:                                             Fotos 43, 44, 45, 46 e 47                              
Nos anos 70, o progresso chegou e os adornos natalinos passaram a  ser fabricados de plástico, através de  injetoras  automáticas e toda  aquela beleza artesanal cessou. Aqueles moços e moças  que nos anos 1950 e 1960, tinham,  no máximo 18  anos,  hoje estão entre  70 e 80 anos   e   têm muitas histórias pra contar. Fica aqui o espaço para eles e elas darem a continuidade nesta história.

A semana  passava rápido.  E, depois  de  matar  as saudades da vó
 Margarida, dos  tios, tias,  primos e  primas  e de  ter  visitado  por 
mais uma vez a ADORNOS ROTIZ, voltávamos para São Carlos.
A emoção  continuava, a volta  era  no  trem  de  luxo da Companhia
 Paulista de Estradas de  Ferro,  o "Trem R".  Foto 48

CRÉDITOS:
FOTOS:
01: MAPAS. CULTURA.GOV.BR - Prefeitura Municipal da Estância Turística
 de Ribeirão Pires - Expresso Studio - Sergio Luiz Jorge. 
02: Alfeo Cyro Röhm
03: José Alfeo Röhm
04, 13,19,25,26, 28, 29, 30, 31, 32,33, 34 e 39: Facebook ,
Caçadores de Relíquias - Nilton Luz Netto
06, 07, 08, 11, 12, 14, 15, 16, 17, 18, 20, 21, 22, 23 e 24:
 UOL NOTÍCIAS-  - Kacper Pempel / Reuters
09 e 10: MERCADO LIVRE
27, 35, 36 e 37: Facebook , Caçadores de Relíquias - José Henrique Popp
40: ELO 7      
41: ARMARINHOMARINHO - https://www.armarinhomarinho.com.br/enfeites-de-natal/1731-guirlanda-festao-verde-25cm-magizi-7899655001912.html                                                            
42: CASA & FESTA  
 43: STRAVAGANZA - Leopoldo Costa - ELETRO-RADIOBRAZ    
44: LOGOPEDIA  -  LOJAS AMERICANAS
45:  MAPPIN
46: LOGOPEDIA  - MESBLA             
47: LOGOPEDIA - SEARS
48: MESTRE FERROVIÁRIO - Matheus Peixoto 

 PARTICIPARAM:
Maria Nazareth, Daniel e Lika Röhm 
Ivana Maria Röhm  Bernardes da Silva 
Nancy Röhm Faustino
Sandra Röhm Faustino Chiedd

Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente na Estação 108.
                                                         Abraços, Alfeo.

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