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  • 1 Faculdade Dom Pedro II - São Carlos-SP (1928-2009)
    Acervo Valentim Gueller Neto
  • 2 Bonde da Carne São Carlos–SP (1912-1962)
    Acervo Raymond DeGroot
  • 3 Estação Ferroviária de São Carlos-SP (1925)
    Acervo Valentim Gueller Neto

Estação 75 - As Chaminés Caseiras de São Carlos - SP

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Depois da postagem das chaminés industriais de São Carlos - SP, meu irmão Sergio me propôs fazer uma sobre as chaminés residenciais. O difícil mesmo, foi conseguir algumas fotos, pois as chaminés ficavam nos fundos das casas e raramente eram fotografadas.  Dá até para pensar que elas tinham vergonha de serem fotografadas, por estarem sempre esfumaçadas, e se escondiam.   Foto 01                                                                                                                                                                                                                              CLIQUE SOBRE AS                                                                                          FOTOS QUE AMPLIAM



A chaminé é um duto vertical que vai da câmara de queima do fogão a lenha, até aproximadamente um metro acima do telhado e faz a exaustão da fumaça.  Pode ser interno, sobre um canto do fogão,       Foto 02  




ou  junto da parede externa da cozinha. Os fogões das famílias mais simples tinham apenas a câmara de queima e a chapa de apoio para as panelas.  Além de fazer a exaustão da fumaça, pela chaminé também saíam os aromas dos temperos daquilo que estava sendo preparado nas panelas de ferro, ou assado no forno. E os vizinhos ficavam sabendo o que cada um estava cozinhando, ou assando,  e até trocavam os cozidos e os assados. Quando a fumaça parava de sair, era porque  estava tudo pronto esperando o provedor da família chegar para juntos fazerem a refeição.    Foto 03 



Nas cozinhas das famílias de classe média, os  fogões eram mais detalhados, tinham também o forno e   um espaço, na parte inferior, para o armazenamento da lenha cortada. Foto 04 



Para os ricos,  havia os fogões a lenha em ferro fundido e esmaltados. Eles também aqueciam a água através de uma serpentina e a casa toda era servida com água quente. A terceira esposa do meu avô Pedro Cavasin  era de família de posse, e na casa deles havia um. Meu irmão e eu quando íamos vê-los, ficávamos admirando a beleza daquele fogão, o único em ferro fundido e esmaltado que vimos na nossa infância. Mas acima dos telhados, todas as famílias se igualavam pelas chaminés.   Fotos 05

E assim era São Carlos - SP, até 1958, em cada 
casa um fogão a lenha e em cada telhado uma chaminé.    
Foto 06 - Rua Nove de Julho entre as Ruas Conde do Pinhal e Major José Inácio    

Para conseguir algumas fotos das chaminés caseiras, tive que pedir ajuda aos
meus amigos que possuem acervos fotográficos da São Carlos antiga.  E assim
 foi possível montar este breve registro do centro e de alguns bairros da cidade,
 com recortes das fotos originais.  Os fotógrafos que começaram a história 
fotográfica de são Carlos, a fotografaram, mas não  as chaminés caseiras, pois 
sempre houve coisas muito mais interessantes para  serem fotografadas..   

REGIÃO CENTRAL

Anos 50, à direita da Livraria Brasil, ficava o Café do Centro, bar que era o ponto de encontro dos amigos para o cafezinho, o aroma que saía da chaminé avisava que mais um café de bule tinha acabado de ser preparado.  . Foto 07 - Av. São Carlos, entre as Ruas Sete de setembro e Marechal Deodoro


Ao lado da Catedral, em um sobrado tradicional onde, no térreo, foi a Casa Brasileira e hoje, a Farmácia Natureza,  nos anos 70, a chaminé ainda compunha a construção original do prédio. Foto 08 - Av. São Carlos esquina com a Rua  13 de Maio
  
Defronte a Praça Coronel Salles, no sobrado que foi a Casa Bancária de São Carlos e hoje PREVCRED, nos anos 50, a chaminé ficou registrada na foto.  Foto 09 - Esquina da Av. São Carlos com a Rua Major José Inácio


Fotografar as chaminés para que? Elas ficavam escondidas atrás das casas e só eram fotografadas quando nos fundos da casa ocorria alguma festa ou catástrofe, como na foto que é registro de uma enchente no Córrego do Gregório, em 1945, e a correnteza levou parte da casa. Foto 10 -  Rua  Treze de Maio, esquina com a Rua Aquidaban


Em uma foto do final dos anos 60, que mostra um pouco da região oeste da cidade, atrás da Catedral, algumas chaminés resistiam à modernidade.  Foto 11 -   Rua Conde do Pinhal, entre as Ruas Episcopal e Nove de Julho.

Final dos anos 70 e início dos 80, quase vista pela frente da casa, mas mais construída na parede do fundo, essa é uma das poucas chaminés que foi fotografada próximo da Igreja São Benedito ...  Foto 12 Rua Santa Cruz, entre a Av. São Carlos e rua Episcopal
      VILA NERY

Anos 30, na cozinha da Escola Industrial Paulino Botelho, havia um fogão a lenha e uma chaminé. A cozinha também atendia as alunas e alunos que faziam os cursos de Arte Culinária. Foto 13 -  Rua Marechal Deodoro, entre as Ruas Totó Leite e Maria Isabel de Oliveira Botelho - Vila Nery.

    
Na casa que fazia fundos com a Padaria Miramar, no início dos anos 50, a chaminé assistia o bonde chegar, fazer o balão e voltar.   Foto 14 -  Praça ARCESP ou Balão do Bonde,  Vila Nery  
VILA PUREZA

Em 1951, as chaminés viam a construção da Praça Dr. Christiano Altenfelder da Silva,  "Praça da XV". Nos anos 60, a casa da esquerda foi o SAMDU, Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência, e nos anos 70, a lanchonete Porão Lanches. Foto 15 - Rua Aquidaban, esquina com a Av. Dr. Carlos Botelho.  
VILA PRADO

Anos 60, era época das quermesses na Igreja Santo Antonio. As barracas estavam sendo construídas e a chaminé foi testemunha de todo o trabalho preparativo e das festas. Foto 16 - Rua Ananias Evangelista de Toledo, entre a Av. Sallum e Rua Dr. Gastão de Sá.



Os primeiros concorrentes às chaminé caseiras começaram a aparecer em meados dos anos 40. Os fogões a querosene prometiam muito e a principal marca era a           Fotos 17 e 18                                                                                                                                                                   


Em uma das laterais tinha um reservatório para o querosene. Para acender os queimadores, era necessário pressurizá-lo através de uma bomba semelhante às de encher pneus de bicicletas. No início dos anos 50, na casa dos meus pais teve um, e eu me divertia acionando a bomba do reservatório. O querosene mais conhecido nos anos de 1940 e 1950 era                                                                                                                                                                            Embora muito fácil de usar e de evitar o trabalho árduo do corte da lenha com o machado, o fogão a querosene não chegou a fazer frente para os fogões a lenha.      Fotos 19 e 20  


Nas décadas de 40 e 50, os fogões elétricos também foram concorrentes das chaminés, também evitavam o corte penoso da lenha e produziam muito calor, Mas eram tidos como luxo e portanto caros.  Foto 21  



Também não chegaram a diminuir a quantidade de chaminés, e uma das marcas era       Foto 22
                                         
                                              Em 1958, chegou em São  Carlos a        Foto 23


 Ela vendia os produtos                                                                                     Fogões a gás das marcas ALFA, DAKO, COSMOPOLITA, PATERNO e as cotas dos dois botijões. Inicialmente, instalou-se na Av. São Carlos, 2112,  no centro da cidade. No começo houve o choque do novo e não vendiam. As pessoas temiam por não conhecer o novo produto. Mas meu pai, Alfeo Cyro Röhm, já havia visto há alguns anos a chegada dos fogões a gás de rua em São Paulo   e também os de botijões, em Ribeirão Pires - SP. Conhecedor do bom funcionamento, comprou o primeiro fogão a gás da ULTRALAR, um PATERNO e os vendedores comemoraram! Como ele era muito conhecido por trabalhar com refrigeração na cidade e região, passou a servir de referência, e aí as vendas foram acontecendo.    Fotos 24 e 25


Os preços eram convidativos e parcelados, a ideia da rede de lojas era popularizar o fogão a gás. E aquilo que os fogões a querosene e elétricos não conseguiram, os a gás passaram a fazer e ir substituindo os fogões a lenha e as chaminés. A forma de contar para os vizinhos que o fogão a gás havia chegado, era mandando  retirar a chaminé do telhado. Ter chaminé era só para os antigos e desatualizados. Os fogões a lenha até continuavam nas cozinhas como lembranças de um tempo que passou, ou de apoio para as panelas, mas as chaminés eram retiradas.   Na foto, é a participação da  ULTRALAR na 1ª Feira Industrial de Amostras de São Carlos, em 1964.   Foto 26


Em 1969, a ULTRALAR - ULTRAGAZ já estava na Rua Sete de Setembro, defronte
à praça central,  Praça Coronel Salles, que estava em reforma e bastante próximo do 
primeiro endereço.
E as vendas foram crescendo.     Foto 27 
      



No final dos anos 80, as poucas casas que ainda tinham chaminé foi porque ficaram fechadas durante muitos anos e o fogão a gás não chegou. Esta foto é uma raridade! A chaminé está sobre as paredes frontais da casa, ela está até um pouco camuflada pelos galhos da arvore,  Foto 28 - Rua Marechal Deodoro, esquina da rua Rui Barbosa     


mas aí está o detalhe dela.   Foto 29 


E São Carlos que era assim:       Foto 30



Em poucos anos ficou assim,   Foto 31 -  Igreja Santo Antonio, Av Sallun, entre as Ruas Ananias Evangelista de Toledo e Antonio Botelho  - Vila Prado.
quase sem chaminés.    
 Foto 32 - Estação Ferroviária, Praça Antonio Prado


Prestando bem  atenção, ainda é possível encontrar algumas  poucas chaminés pelos telhados de São Carlos. Elas estão principalmente, nos prédios tombados pelo Patrimônio Histórico ou em casas tradicionais, cujas linhas construtivas foram mantidas através dos anos. Ao lado do Mercado Municipal "Antonio Massei", no casarão localizado na Rua Jesuino de Arruda,    Foto 33


esquina com a Rua Episcopal, junto da parede posterior, lá está uma linda chaminé.   Foto 34

As chaminés caseiras de São Carlos foram como o Repórter Esso, "testemunha ocular da história", viram o nascimento da Cidade em 1857, a chegada da Ferrovia em 1882,  a inauguração dos Bondes em 1914, a demolição da Igreja Matriz, em 1949, a inauguração da Catedral em 1956, o Centenário da Cidade, em 1957 e a chegada da ULTRALAR - ULTRAGAZ, em 1958.                                                                                                                               Na casa dos meus pais também havia uma chaminé, ela começava a fumegar bem cedo contando que o feijão  já estava na panela de ferro. Que saudade!  Foto 35              
CRÉDITOS:
Fotos: 
01, 06, 08, 15, 27, 28, 29, 30 e 35  : Acervo de Valentim Gueller Neto
01, 06, 08, 09  11,30 e 35: Porceno Marino
02: Fogão a lenha com fogo - TELHAMAR
03: Fogão a lenha com chaminé externa Panela de Barro e Fogo de Lenha Meu Fogão a lenha
04: Fogão a lenha com forno -MUNDODASTRIBOS
05: Fogão esmaltado - WIKIPEDIA
07, 12 e 16: Acervo de Ocimar Pratavieira
09, 10, 11, 12, 13,  24, 27, 28, 31 e 32: Autoria ou Acervo do  Foto Arte - José João, "Alemão" 
14 e 26: Acervo do autor
17 e 20: Fogão a querosene  Mercado Livre 
18: Logo Cosmopotila - Mercado Livre
19: Querosene Esso - Mercado Livre
21: Fogão elétrico - OLX
22: Propaganda Gardini - OLX
23: Logo  ULTRALAR -  NOVO MILÊNIO 
24: Fogão ULTRAGAZ - FACEBOOK/ULTRAGAZ
25: Logo ULTRAGAZ - Televendas & Cobrança
33: José Alfeo Röhm
34: Niels Ant Sørensen
Participaram:
Maria Nazareth, Daniel e Lika Röhm
Valentim Gueller Neto

Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente na Estação 76.
                                                         Abraços, Alfeo.

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