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  • 1 Faculdade Dom Pedro II - São Carlos-SP (1928-2009)
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    Acervo Valentim Gueller Neto

Estação 08 - A ferrovia do Sr. Walter Scharf I

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Em 12 de julho de 2007, por ocasião do XI Encontro de Ferreo- modelismo das Industrias Reunidas Frateschi LTDA, em Campinas - SP, eu e mais alguns Férreos Amigos fizemos uma homenagem através de um banner, ao Mestre do ferreomodelismo de São Carlos, segue abaixo:

HOMENAGEM A WALTER SCHARF

Nasceu em 04 de novembro de 1934, em AraçatubaSP. Era filho de Erwin Scharf e Elly Riemer Scharf.
Em 1959, com vinte e cinco anos começou a se interessar pelo ferreomodelismo e em 1982, começou a construir em sua casa, em São Bernardo do Campo, SP, uma maquete com 210 metros de trilhos, cinco planos e a possibilidade de operação de seis composições.
Em 1984, a revista Esporte e Modelismo Nº 13, fez uma ótima reportagem sobre essa maquete.








Leia aqui a matéria completa em PDF.












No início dos anos 90, Walter mudou-se para São Carlos – SP, onde passou a ser o Mestre do ferreomodelismo. Fez muitos amigos e ensinou a ferrovia em miniatura para outros tantos. Trabalhou, por vários anos, na Toalhas São Carlos.

Sua característica principal sempre foi transferir o conhecimento, aquilo que ele sabia, todos ficavam sabendo. Construiu naquela cidade cerca de vinte maquetes, desde as mais simples até as mais complexas e sofisticadas; a maioria preservadas.

Em 1998, começou a construir no salão aos fundo de sua casa, uma grande maquete. A idéia dele era fundar e sediar o Clube de Ferreomodelismo de São Carlos, obra essa interrompida em 22 de outubro de 1999, devido a sua morte, aos 65 anos.


PALAVRAS DOS AMIGOS:
AO MESTRE, COM CARINHO
* Era final da década de 70, adorava quando meu pai falava: “ vamos visitar o Walter “. Isso significava passar algumas horas hipnotizado diante de uma maquete maravilhosa , com mais de 200 metros de trilho, aquela que aparece na revista Esporte e Modelismo, Nº 13, de 1984.
O Walter e meu pai eram amigos antigos, trabalhavam juntos na mesma empresa, a extinta Limasa e morávamos perto, em São Bernardo do Campo. Partilhavam de hobbies parecidos, meu pai com os aviões e o Walter com os barcos e trens.
Ele era dedicado, minucioso nos detalhes e procurava a perfeição no acabamento. Detestava comprar pronto, desenvolvia seus relês eletrônicos, pintava sua grama, moía sua pedra e fabricava suas árvores e postes, esses das mais diversas formas. Suas ferramentas então, não existiam em, lugar nenhum, eram fabricadas por ele conforme a necessidade.
E assim fui crescendo sempre visitando-o e ele,sempre com uma paciência infinita, me explicando como tudo funcionava.
No início da década de 80 ganhei do meu pai meu primeiro trem, um brinquedo da Estrela denominado de Ferrorama, bem longe de um trem de ferreomodelismo, porém o Walter recebeu a notícia com grande entusiasmo e incentivo.
Más foi em 85 que tudo deu uma nova guinada, o procurei com um problema e segundas intenções. Precisava fazer um trabalho para Feira de Ciências da escola. Walter , você tem alguma sugestão ? perguntei, já torcendo pela resposta certa. “ Emerson , por que você não faz uma maquete? ” Meu sonho começava a se realizar.
E assim foi durante alguns meses; eu chegava da escola e lá estava ele em casa me esperando, ia para sua casa, e passava a tarde inteira aprendendo a arte do grande Mestre.
A Feira de Ciências passou e fui à sua casa para devolver o trem, vagões, transformador ( Frateschi e Atma) e outras peças que ele havia me emprestado, “ Você gostou do que fez? “ ele perguntou, É claro , não vou parar mais respondi, “ Então, tudo o que lhe emprestei é seu, como incentivo”. Nem pude acreditar.
As semanas, meses e anos que se seguiram foram maravilhosos na companhia do grande Mestre. Íamos na pedreira pegar as pedras, ele analisava pedra por pedra, como já sabendo no local exato que ela se encaixaria em sua maquete., tingíamos a serragem, montávamos as árvores e casas, ele sempre procurava desenvolver uma técnica melhor em tudo que fazia .
Minhas primeiras casinhas e torres de comando foram feitas com madeira de caixa de uva, que nas mãos dele ficaram ótimas. Lembro dos meus primeiros postes, “ Calma, Emerson, “a led” tem que ser soldada com paciência pois é muito sensível e pode queimar”.
Como era fluente em alemão e um ótimo conhecedor mecânico e elétrico, teve algumas vezes a oportunidade de ir a trabalho para a Suíça comprar e acompanhar o transporte de algumas máquinas, o que também lhe dava a facilidade de trazer novos trens, vagões e casas o que naquela época, aqui no Brasil era muito difícil de se obter.
Nos meus aniversários e no Natal, ele sempre me presenteava com um vagão, ou uma locomotiva. Lembro-me nitidamente do primeiro vagão, um da Frateschi, carregador de cimento Itaú, tenho até hoje.
Já tinha 13 anos e um amigo me disse: “ Você gosta tanto de maquete, porque você não faz modelação ? “, então fui atrás para saber o que era isso, entrei em um curso pela Volkswagen e comecei a estudar a arte, sem querer. Lá estava eu seguindo os passos do Mestre.
Os anos se passaram e o contato foi diminuindo até ser perdido totalmente, principalmente com sua ida para São Carlos.
Com a desculpa de falta de espaço e tempo acabei deixando de lado meu hobbie e minha maquete foi toda desmontada e encaixotada.
Alguns anos depois, mais precisamente em 99, fui procurado por um amigo para montar uma maquete. Já fazia algum tempo que não mexia com ferreomodelismo e estava destreinado, mas com tanta insistência dele acabei aceitando. Ao recomeçar, algumas lembranças vieram a cabeça, e a mais forte e marcante era a saudade do grande Mestre e amigo. Procurei a loja do Lupatelli, local onde íamos sempre, para ver se conseguia alguma informação do Walter, deixei meu telefone e alguns dias depois, inacreditavelmente recebi um telefonema do meu grande amigo.
Estava próximo do feriado do dia das crianças e ele insistiu que fosse para lá, também queria conhecer minha esposa e filhos. Não foi difícil aceitar o convite .
Marcamos o encontro na entrada da cidade, e fiz questão de refazer uma casinha para lhe presentear, a última casinha que tinha mostrado a ele antes de perdermos o contato.
A expectativa na viagem foi grande “ Como será que ele está? O que tem feito? “ e numa rotatória, em frente a uma banca de jornal, lá estava ele; na hora voltei a ser o aprendiz, e seu carisma inigualável conquistou minha família.
Seguimos para sua casa e fomos apresentados para sua amável companheira, Da. Emília. Nos trancamos no quartinho do fundo e novamente me deliciei em ver seus trabalhos, a qualidade estava bem superior daquela maquete que conheci quando menino. Nesses anos sua técnica se apurou não só na paisagem mas também na eletrônica.
Foi um final de semana de aprendizagem como antigamente, só que agora com uma certa pressa, me mostrou as novas ferramentas que desenvolveu, algumas bem simples outras mais arrojadas, controladores de velocidades, os novos circuitos eletrônicos que projetou, os lugares onde guardava tudo e todos os detalhes que faltavam para terminar a maquete que ele estava fazendo para a cidade, sempre com um esforço enorme de me passar o máximo de informação possível, pois assim ele era, aprendia para ensinar. Neste dia ficamos até e madrugada vendo os slides de suas viagens à Europa, paisagens que ele guardou na mente e reproduziu em várias maquetes.
O feriado foi maravilhoso e com tristeza chegou a hora da despedida, num abraço forte falei que tinha ele como um pai.
Uma semana depois recebi de madrugada uma ligação do Doricci dizendo que nosso amigo Walter Scharf havia nos deixado.
A pedido da Sra. Emília acabei a maquete em homenagem a São Carlos, pois, parece que adivinhando, ele havia me explicado tudo o que precisava ser feito para acabá-la e onde estavam guardadas todas as peças necessárias.
Tive a chance de depois de alguns anos me reencontrar, ter minha última aula e me despedir da pessoa que com amor me ensinou o ferreomodelismo, e em cima disso montei minha carreira e vida. São Bernardo do Campo, 2 de janeiro de 2007. Emerson José Tedesco Florio. "
* ...quando terminou a construção de minha maquete, depois de sete meses de trabalho perguntando a ele sobre o preço que ele iria cobrar, disse-me que mais valia a amizade que tinha nascido entre nós , do que o dinheiro que iria me
cobrar. Não me cobrou nada. Um amigo de verdade. São Carlos, 07 de fevereiro de 2007. Paulo Guedes.
"
* “Tenho grande admiração pelo ferreomodelista Walter Scharf, pela sua capacidade em ver nas coisas à sua volta sempre algo que serve à prática do hobby.São Carlos, 16/02/07 - José Roberto Couto Geraldi.”
* “Esse Mestre sempre está em nossa companhia. São Carlos, 12 de julho de 2007, José Alfeo Röhm."
* “Ao Walter Scharf (seu Walter), pelo grande amor que dedicou ao seu trabalho, pelos valiosos ensinamentos que nos proporcionou e pela sincera amizade que eternamente será lembrada.. – São Carlos, 04 de novembro de 1999 – Sergio Paulo Doricci.”
AGRADECIMENTOS:
* Ao companheiro Flavio Cavalcanti, do Periódico "Centro-Oeste", por ter resgatado a Revista Esporte e Modelismo Nº 13 – 1984, com a reportagem sobre Walter Scharf.
*Aos Ferreomodeistas de São Carlos e São Bernardo do Campo, que contribuiram para a realização desta homenagem.  
* Às Indústrias Reunidas Frateschi, pelo espaço no Evento


VEJA MAIS



Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente na Estação 09.
                                                         Abraços, Alfeo.

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Estação 07 - “WAKAMOTO” - O Relógio da Escola Normal de São Carlos - SP

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Como aluno do Curso Primário da Escola Normal de São Carlos - SP, de 1955 a 1960, tive o privilégio de participar de dois eventos que já estão quase que esquecidos pelos são carlenses, o primeiro eu já contei na postagem anterior, e o segundo é este:
“WAKAMOTO” - O Relógio da Escola Normal de São Carlos - SP


1958 - Cinqüentenário da Imigração Japonesa para o Brasil
Neste ano eu cursava o segundo ano primário do Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião, a Prfa. Julieta Jensen era a nossa Educadora, o Diretor do Curso Primário era o Prof. Afonso Fioca Vitalli, e da Escola Normal o Prof. Antonio Stella Moruzzi, era Prefeito Municipal Dr. Auderico Vieira Perdigão.
Houve um dia daquele ano que todos os estudantes do IEDAG ou Escola Normal, foram levados pelos Professores para a esquina entre a Av. São Carlos e Rua Padre Teixeira, devia ser por volta das 10h, logo após o recreio. A concentração estudantil e de autoridades municipais era para receber da Colônia Japonesa um presente à cidade de São Carlos, pelos 50 anos da Imigração Nipônica para o Brasil.
Sobre esse presente, o meu Amigo Valentim Gueller Neto que também foi aluno daquela Escola, escreveu assim:
- "Em 1958, por conta da comemoração dos 50 anos da imigração japonesa para o Brasil, a Colônia Nipônica ofereceu à cidade e ao Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião este magnífico presente: Um relógio em três faces sobre um enorme pedestal, em cuja base havia uma placa de bronze com alusões à data sob as bandeiras entrecruzadas dos dois países em alto relevo. E o relógio, que ficava à esquerda da entrada principal da escola na Avenida S. Carlos, ganhou dos estudantes do IEAG o carinhoso apelido de 'Wakamoto', nome de um remédio de origem japonesa à base de levedura de cerveja, muito popular na época."

Mais cinqüenta anos se passaram e em 2008 comemorou-se o Centenário da Imigração Japonesa para o Brasil, mas ninguém se lembrou do "Wakamoto", PATRIMÔNIO PÚBLICO!
Ninguém se lembrou porque ele sumiu, estaria completando cinqüenta anos... Mas como pode um relógio daquele tamanho sobre a torre em forma de delta sumir? Cada face do “Wakamto” deveria ter aproximadamente um metro de lado, e a torre em alvenaria construída com muita arte uns quinze metros de altura, portanto não coube num bolso, mas sumiu! Certamente a insensatez de alguém, ou de alguns determinaram o sumiço, o relógio foi retirado de seu pedestal, a torre foi demolida, e sumiram com ele e a placa de bronze. E hoje, ninguém sabe, ninguém viu... Mas a esquina onde aquela obra de arte ficava ficou empobrecida do relógio, da memória da cidade, e do respeito à Colônia Japonesa.
Todos os ex-alunos do IEDAG que conviveram com o "Wakamoto" sentem muitas saudades dele e gostariam muito de vê-lo novamente no alto de seu pedestal, isso estaria resgatando a memória estudantil da nossa cidade, o zelo pelo patrimônio público, e acima de tudo o respeito à Colônia Japonesa.

Você sabe onde está o "Wakamoto"?

Foto: Acervo Valentim Gueller Neto.

Abraços e até a próxima, Alfeo.

Estação 06 - O Parquinho da Escola Normal de São Carlos - SP

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A Escola Normal de São Carlos - SP é um dos prédios mais lindos da cidade, em 22 de março de 2011 completará 100 anos de sua aula inaugural!

Como aluno do Curso Primário de 1955 à 1960, tive o privilégio de participar de dois eventos que já estão quase que esquecidos pelos são carlenses.

O primeiro se deu em 1955 quando eu cursava o Jardim da Infância, a Da. Semírames, nossa Professora, nos contou que o Diretor Prof. Afonso Fioca Vitalli ia construir um parque infantil para que os alunos do Curso Primário brincassem na hora do recreio. Deu para perceber que ela não estava muito satisfeita, pois também falou: - "Estão inventando moda."

Como nossa sala de aulas ficava num dos porões com as janelas voltadas para a Avenida São Carlos, e a porta para o pátio onde o parquinho estava sendo construído, deu para acompanhar todas as fases da construção. Foi construído rapidamente e devia ter a forma de octaédro, tinha uma cerca de ripas de madeira e cada lado se alternava em verde e amarelo. Os brinquedos eram: Escorregador, gangorras e balanços, e no piso areia branca.
Todos os alunos do primário acompanharam desde o primeiro dia até a finalização a construção do parquinho com aquela vontade imensa de poder lá brincar, era como esperar o presente do Papai Noel.

O parquinho pronto, Da. Semírames nos informou que em cada dia da semana uma classe iria brincar nele no recreio. Mas eu percebi que já havia algo de errado, pois o Curso Primário no período da manhã tinha oito classes e a semana escolar seis dias, naquela época havia aula também aos sábados.

O tempo foi passando e nada de parquinho, hoje percebo que ele se tornou um risco pra as professoras, a Diretoria construiu, mas a responsabilidade sobre os alunos era delas.
Os pais se apegavam com o problema dos uniformes, as calças curtas ou saias azul marinho, camisas brancas com as iniciais C P I E no bolso do lado esquerdo do peito, meias brancas e sapatos pretos, tinham que estar impecáveis para o dia seguinte.

Assim o parquinho foi ficando fechado, e aquele aluno que pulasse a cerca para poder brincar era punido. Foram poucos os dias que a porteira se abriu para a criançada brincar, talvez nos Dias da Criança.

Em 1957 foi todo reformado para as comemorações do Centenário da cidade, mas só para as fotos, continuou fechado.

Hoje só faz parte das lembranças da infância, já não existe mais, mas as fotos que o Amigo Valentim Gueller Neto me enviou no início de fevereiro deste ano, me fizeram reviver com muita emoção o Parquinho da Escola normal.
Se já não bastassem as fotos, me encontrei nelas!

















Vista parcial do Parquinho da Escola Normal, eu estou bem no meio da cerca de madeira, o único de óculos.

















Da esquerda para a direita e de frente, o segundo sou eu, o terceiro meu primo José Luis Cavasin Raschelli, e o quarto meu irmão Sérgio.
















Na base da foto e de frente, o segundo sou eu e o quarto o meu irmão Sérgio.

..., eu tinha seis anos, que saudades!!!

Fotos: Acervo Valentim Gueller Neto.


Confira: http://www.histedbr.fae.unicamp.br/art03_19.pdf

O segundo evento eu conto na próxima postagem.
Abraços, Alfeo.