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  • 1 Faculdade Dom Pedro II - São Carlos-SP (1928-2009)
    Acervo Valentim Gueller Neto
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    Acervo Valentim Gueller Neto

Estação 22 - Trilhos Suspensos

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Em 22 de novembro de 2010 o Amigo Valentim
Gueller Neto me mandou essas fotos com o seguinte texto: "

"Prezados Alfeo, Zé Roberto e Antonio Carlos, seguem estas fotos da queda de um aterro.
Foi este meu tio que está ao teodolito quem as tirou e que também trabalhou arduamente na reconstrução do local. Infelizmente não há registro de data ou lugar, mas vale a pena ver os aparatos incríveis para a recuperação do estrago. Abraços. Valentim."

O Valentim me contou que o Tio Lazinho, tinha trinta e poucos anos quando fez esta série de fotos, e que ele nasceu em 14 de setembro 1914, portanto esses trilhos ficaram suspensos provavelmente entre 1944 e 1950.

Por estar com um teodolito, eu logo pensei que ele fosse engenheiro agrimensor ou topógrafo, mas ao lado da ultima foto você vai ver que a escolaridade dele foi bem diferente!



E os trilhos ficaram suspensos!



Quando as recebi estas fotos, enviei para alguns Férreo Amigos na tentativa de ter alguma notícia da data e local, e chegaram alguns respostas:

O Alberto Henrique Del Bianco retornou assim: "Única pista que é da métrica....."
e "Caros, pelo modelo da locomotiva provavelmente era a região de Marília para cima...não é muita coisa, mas... "
O Flavio R Cavalcanti comentou:"Talvez fosse mais prático consultar o remetente inicial, pois a família dele deve saber os trechos onde o tio trabalhou, e se havia afastamentos demorados de casa (maior distância). Interessante que os engenheiros inicialmente não dispunham de estatísticas pluviométricas do interior. Nem dos efeitos do rápido desmatamento sobre as regiões cafeeiras."
O Wanderley Duck respondeu: "Boa tarde, Alfeo, o que é visível nessas fotos é que se trata do ramal de bitola estreita da Paulista, só que ele era muito longo, porque ia de Itarapina até o Rio Paraná, fica muito difícil chutar se era próximo a Marilia, ou não.
E o Geraldo Godoy manifestou-se assim: "Amigo Alfeo. Eu não tenho a menor idéia de onde se deu o fato, mas aproveitei o tempo e dei uma melhorada nas fotos para o caso de você vir a publicá-las. Um abraço."

E nada se esclareceu!

Com o tratamento digital que o Geraldo Godoy da Regional da ABPF de Araraquara fez nas fotos, elas ficaram ótimas! Confira ao lado:
A tecnologia agora permite isso, mas é muito importante também valorizar os originais que envelheceram com passar dos anos e fazem parte da História. Assim nesta Estação, estará sempre à esquerda as fotos originais do Tio Lazinho, e logo a seguir à direita, a mesma foto com o tratamento digital do Godoy.



Neste recorte da foto anterior, é possível ver o detalhe de uma pessoa sobre a cabeceira da pequena ponte que não suportou o volume
d´agua e tombou sobre o leito do riacho.





A correnteza do riacho deve ter aumentado muito para provocar a a queda do aterro com a ponte.










O incrível mesmo, é que os trilhos ficaram suspensos, sem nenhum apoio, e nenhum trem passou sobre eles...



A recostrução desse trecho da ferrovia foi com aquilo que havia disponível na época, nos anos 40, tudo era a base do vapor e trabalho braçal.








Não se ve tratores, retro-escavadeiras, compctadores de solo; nos dias de hoje, chegariam até por helicópteros.








A madeira foi a responsável por toda sustentação de um trecho alternativo, não havia os andaimes metálicos e os macacos hidráulicos para suportar a reconstrução da ferrovia.



Todo material de apoio e as Equipes de trabalho, foram transportadas por uma composição a vapor da CP.








O alojamento dos trabalhadores, não foram carros de passageiros ou de turma, foram barracas enfileiradas.








As vigas de madeira foram ocupando o vazio deixado pelo aterro, e os trilhos reassentados.
A ferrovia precisava voltar a funcionar...





É interessante observar o comprimento das barracas enfileiradas, e provavelmente no lado oposto havia outra ala.








Para dar vazão às águas do riacho, uma estrututura muito mais resistente começou a ser construída.








Todo o trabalho foi manual, e transportado nos ombros e carriolas.










Os dormentes foram implantados um a um e o trecho alternativo da ferrovia foi ganhando forma.











As vigas de madeira passaram a ser o suporte dos trilhos.









E com todas essas dificuldades, os trilhos tinham que ficar alinhados e nivelados e rapidamente.
O Tio Lazinho com seu teodolito, era quem dava as coordenadas para que os assentamentos dos trilhos ficassem perfeitos.





Depois do traçado alternativo construído e certamente a ferrovia ter voltado a operar, a Equipe de reconstrução pode se preocupar com a recuperação do trecho original da ferrovia.






Uma nova ponte foi construída e muito diferente daquela de tijolos que ruiu com as águas.









Nota-se que que sob os trilhos do desvio estão as estruturas de madeira e mais ao alto um leito foi preparado sobre um novo aterro .






E também nesta imagem não são vistas máquinas para a movimentação e transporte da terra.











Obra de recuperação concluída!






Do lado esquerdo está o desvio alternativo apoiado na estrutura de vigas de madeira e do lado direito, o traçado original da ferrovia apoiado no novo aterro.





E o Valentim complementou:
" Tio Lazinho, Chamava-se Lázaro de Araújo Machado natural de Três Lagoas - MG, mudou-se para São Carlos com a família aos 3 anos, onde cursou o primário no Grupo Escolar Paulino Carlos, tendo pulado do segundo para o quarto ano direto, pois o diretor e professores acharam que seria um desperdício de tempo e capacidade um garoto inteligente como ele fazer o terceiro ano, algo inédito!
Ingressou na Companhia Paulista aos 19 anos e poucos anos depois fazia serviço de engenheiro em retificações de linhas, embora só tivesse o ginásio. Corria as linhas da CP, mas mantendo domicilio em S. Carlos . Faleceu em 22/10/1974."

Onde foi, quando?
Se você souber algo sobre esse acidente ferroviário, comente aí abaixo, ok?
 

 Et: A Sra. Iracema Araújo Guerller é irmã do Tio Lazinho e mãe do Valentim. Hoje ela está com 93 anos e foi uma das melhores telegrafistas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, mas isso é assunto para uma outra Estação...

Créditos:
Fotos originais: Tio Lazinho - Lázaro de Araújo Machado - Acervo Valentim Gueller Neto
Fotos com tratamento digital: Geraldo Godoy - ABPF - Araraquara

Agradecimentos:
Alberto Henrique Del Bianco
Flavio R. Cavalcanti
Geraldo Godoy
Wanderley Duck

 Mauricio Torres
 

Colaboraram:
Daniel e Maria Nazareth Gobato Röhm
Valentim Gueller Neto

Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente na Estação 23.
Abraços, Alfeo.

Estação 21 - O Presépio do Sr. Antonio Cruz

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O Sr Antonio Joaquim Cruz me contou que começou a construir presépios em 1937, quando tinha 15 anos, e não parou mais, monta presépios há 73 anos!

Nasceu em 28 de outubro de 1922, na fazenda Sampaio Vidal - Guarapiranga, Distrito de Ribeirão Bonito - SP. Com oito anos, acompanhado do pai, viu o primeiro presépio na Catedral de São Carlos. Também na mesma cidade, no final do ano de 1936, numa residência na rua Conde do Pinhal, entre as ruas São Joaquim e Dom Pedro, viu o segundo, e este mecanizado. Nascia a paixão pelos presépios!
No ano seguinte, mudou-se para São Carlos, e junto com a família foi morar na chácara da família Deriggi, atrás da Escola Profissional, (nos anos 60, Escola Industrial Paulino Botelho, e hoje Cetro Paula Souza).

Com 15 anos, quis montar seu primeiro presépio mecanizado; como não tinha ferramental adequado para esculpir as imagens e figuras, tornear as polias e eixos, pediu ajuda ao Prof. Américo Piccolo do Curso de Marcenaria daquela Escola. O diretor autorizou e estimulou a realização do desejo daquele garoto. Nascia ali a tradição dos presépios do Sr. Antonio Cruz.
Entre os anos de 1941 e 1943, cursou naquela Escola o curso de marceneiro, e depois mudou-se para São Paulo para trabalhar onde ficou por 36 anos, mas sempre montando seu presépio. Voltou para São Carlos e agora faz parte da História Natalina da cidade há 29 anos.

A obra de arte é construída em três planos; no intermediário estão a manjedoura, uma ferrovia e a serraria, no superior, algumas casinhas, a igreja, o moinho de vento e uma ferrovia, e no inferior, a roda d água, o monjolo e a cascata.
Como Seo Antonio também gosta muito de trens e ferrovias, ele incorporou no presépio os trenzinhos Frateschi .

Agora os detalhes:

Lado direito do plano intermediário, a manjedoura;
Lado esquerdo do plano intermediário, a serraria;

Lado direito do plano superior;

Lado esquerdo do plano superior;

Plano inferior, a roda d água, o monjolo e a cascata.

Para garantir que tudo se movimente, sob o presépio existe uma
engenhosa combinação de polias, eixos, correias e motor.












Agora, assista os vídeos:







E quando as crianças se aproximam para apreciar...


acontece isso:


É o sorriso mais lindo do mundo, o sorriso de uma criança feliz! Feliz pelas luzes, músicas, movimentos dos trenzinhos, das imagens, dos animais, das carrocinhas, e pelo conjunto , homenageando o nascimento do Menino Jesus.
Os adultos levam as crianças para ver o presépio, mas elas se transportam para a infância e os sorrisos logo aparecem.



E quem promove toda essa felicidade, é o Seo Antonio Cruz,
que com sua simplicidade, simpatia e habilidade, transforma pedaços
de madeira em Menino Jesus, São José, Nossa Senhora, Reis Magos... O presépio já foi montado em vários locais de São Carlos - SP, e também em outras localidades: Araraquara, Trabiju, Boa Esperança do Sul... Neste final de ano, está instalado num espaço do Mercado Municipal . No período noturno é mais lindo, as luzes causam efeitos especiais! Se você é de São Carlos, ou está de passagem, não deixe de ver.
Você já ouviu falar no Sr. Antonio Cruz sim, ele também está na Estação 15

Créditos:
Fotos:
Escola Profissional - 1930 - Acervo Valentim Gueller Neto
Vistas do presépio: José Alfeo Röhm
Criança sorrindo: É Eduardo Cruz com 3 anos, (mas não é parente do Seo Antonio).
Agradecimentos:
Adriana Aparecida Aguiar, pela cessão da imagem do fillho Eduardo Cruz.
Participaram:
Daniel e Maria Nazareth Gobato Röhm


Obrigado por sua agradável companhia em 2010, certamente nos encontraremos na Estação 22 em 2011. Que o sorriso dessa criança esteja presente no seu Santo Natal, e por todos os dias do novo ano que está chegando.
Feliz Natal! Feliz 2011!
Abraços, Alfeo.

Estação 20 - CP - Caminho dos Pinhais

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O brasão que pertenceu ao um dos fundadores da cidade de São Carlos - SP,

e que, após a sua autorização, passou a ser a logomarca histórica da Companhia Paulista de Estradas de Ferro - CP,

voltará a ter vida no Fotos 01,02 e 03



Na noite de 09 de novembro de 2010, no auditório Bento Prado Jr. do Paço Municipal de São Carlos, o Prefeito Oswaldo Barba Duarte Filho, o vice prefeito Emerson Leal, a presidente da Fundação Pró-Memória Ana Lúcia Cerávolo, e o coordenador da Regional de Araraquara, da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária - ABPF Geraldo Godoy, apresentaram o projeto "CAMINHO DOS PINHAIS", para a implantação do trem turístico cultural a vapor em São Carlos.
Foto 04
Um sonho de 40 anos que começa a se tornar realidade!




Os objetivos do projeto contemplam a preservação do Patrimônio Público e a História Ferroviária de São Carlos e da CP - Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Foto 05







A locomotiva Baldwin que se encontra na Praça Brasil na Vila Nery, vai ser levada para as Indústrias Votorantim para reforma e restauro. A previsão para a execução dos trabalhos é de aproximadamente seis meses. Foto 06




Para receber a locomotiva restaurada, o trecho de linha métrica que existia no vão central da plataforma que servia o ramal para Água Vermelha e Santa Eudóxia, será reimplantado.
Foto 07




E a Estação Ferroviária de São Carlos, uma das poucas preservadas, terá mais um detalhe da sua originalidade. - Foto 08







O projeto é ambicioso, prevê a ligação da Estação Ferroviária até a Estação Conde do Pinhal que se localiza nos fundos e à esquerda do Posto Castelo, num total de 11 Km. Fotos 09,10 e 11








A Estação Conde do Pinhal foi restaurada há alguns anos pela família Botelho, proprietários do Posto Castelo, mas durou pouco, foi depredada. Para a chegada da Baldwin e dos carros de passageiros, ela terá que passar por nova recuperação; mas não faltarão parceiros. Foto 12




Neste video produzido pela Fundação Pró-Memória de São Carlos, é possível ver o trajeto que o trem a vapor estará fazendo quando os 11 Km de trilhos estiverem implantados. Ligue o som e vamos juntos:
Créditos: no final do vídeo

Como é um projeto de alto custo, inicialmente será implantado entre a Estação Cultura e a Praça Itália, com 1200m de trilhos de bitola métrica. Naquela praça será construída a Estação Praça Itália, com plataforma para desembarque e embarque de passageiros. Fotos 13 e 14








Os trilhos serão reimplantados no leito original existente que servia o ramal de bitola métrica da CP, à esquerda da via da América Latina Logística - ALL. Foto 15








Seguirá limitando os fundos da antiga Companhia e Fiação de Tecidos São Carlos, a "Tecidão". Foto 16








Continuando, passará no pontilhão sobre a rua
Itália, tradicional Travessa 8 da Vila Prado. Naquele trecho ferroviário ainda é possível encontrar uma seção da linha de bitola métrica daquele antigo ramal. Estes trilhos são detalhes valiosos e vão contribuir muito na reimplantação da via. Foto 17



Após o pontilhão da Travessa 8, inicia-se o limite de divisa com a antiga Cooperativa de Lacticínios São Carlos. Nos fundos e sobre o terreno onde era o leito do ramal da CP, foi construído um escritório. Hoje, toda a área pertence ao Savegnago Supermercados, e lá será mais uma loja da rede. Entendimentos entre a Prefeitura de São Carlos e a diretoria daquela Empresa estão em andamentos, e já é certo que o Savegnago se tornou o primeiro parceiro do "Caminho dos Pinhais". O escritório será demolido para permitir a reutilização do antigo leito ferroviário. Foto 18


Para compor o trem, os carros de passageiros em madeira, poderão ser fabricados ou reformados, mas outros carros que estão em desuso em vários páitos ferroviários, também estão sendo analisados. Foto 19






Assim que o "Caminho dos Pinhais" for implantado, um trem igual ao que está à direita na foto, voltará para o mesmo local da Estação Ferroviária de São Carlos. Os ferroviários da época e todos os que viveram a era do vapor em São Carlos vão se emocionar e reviver suas histórias. Foto 20


Quando a segunda fase do projeto for implantado, voltaremos a ver essa imagem, um trem a vapor passando sobre o pontilhão da Praça Itália. Foto 21







Mas, outras imagens serão revividas como estas da antiga sub-estação da CP. Ela não está mais como mostrada no video, muita coisa mudou! Foi invadida e depredada, mas a Vila Ferroviária e a Estação Hipódromo ainda estão lá:

Créditos: No título do vídeo

Caminho dos Pinhais, um sonho de 40 anos se tornando realidade...

Créditos:
Fotos:
01 - Logotipo CP - José Alfeo Röhm
02 - Conde do Pinhal - Google Imagens
03, 04 ,05, 06, 09, 11, 12 e 19 - Fundação Pró-Memória de São Carlos
10 - Posto Castelo - Google Imagem
07, 08, 13, 14, 15, 16, 17 e 18 -Geraldo Godoy - ABPF
20 e 21 - Foto Arte -José "Alemão" João, anos 50

Colaboraram:
Ana Lúcia Cerávolo - Fundação Pró-Memória de São Carlos
Daniel Gobato Röhm
Geraldo Godoy - ABPF
José Luis Braz Leme
Maria Nazareth Gobato Röhm
Renato Locilento- Fundação Pró-Memória de São Carlos


Obrigado por sua agradável companhia, vamos nos encontrar, certamente, na Estação 21.
Abraços, Alfeo.