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  • 1 Faculdade Dom Pedro II - São Carlos-SP (1928-2009)
    Acervo Valentim Gueller Neto
  • 2 Bonde da Carne São Carlos–SP (1912-1962)
    Acervo Raymond DeGroot
  • 3 Estação Ferroviária de São Carlos-SP (1925)
    Acervo Valentim Gueller Neto

Estação 62 - Os Origamis do Sr. Francisco Rossi Filho

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Vou contar um pouco da história do Barbeiro mais idoso e mais antigo de São Carlos-SP, Francisco Rossi Filho, o "Chiquinho", como é carinhosamente conhecido. Como já foram realizadas várias reportagens sobre ele, vou  enfatizar  sua arte, o Origami.  Conversei com ele e segue um resumo:   Nasceu em 17 de julho de 1922, na residência junto ao Salão Rossi que ficava na esquina Av. São Carlos com a Rua XV de Novembro em São Carlos-SP.       Foto 01                                                                CLIQUE SOBRE AS FOTOS QUE AMPLIAM


Depois, nos anos 50 e 60, lá foi o famoso Bar XV.e hoje, a Drogaria São Paulo.       Foto 02


Em 1932, o Salão já estava alguns quarteirões abaixo da mesma Avenida, entre as Ruas Marechal Deodoro e Sete de Setembro, defronte ao Hotel Accácio e ganhou o nome de "SALÃO AURORA". Chiquinho tinha dez anos e acompanhava o pai, Francisco Rossi, no Salão e o Professor Archimedes Dutra, que ministrava a disciplina de Trabalhos Manuais da  Escola Modelo*, foi cortar os cabelos e lhe fez uma pombinha em papel dobrado que puxando a cauda, as asas se movimentavam para cima e para baixo.  Naquele local hoje funcionam o "CHAVEIRO SÃO CARLOS" e a  loja "DUDA MODAS".                                       *Escola Modelo, depois Escola Normal e hoje  Instituto de Educação Dr. Álvaro Guião  Foto 03     


Ao presentear o Chiquinho com a pombinha o Professor lhe disse: -"Vai desmanchando e vai fazendo que você aprende e vai fazendo." Nasceu uma paixão que já está com quase 82 anos! Foto 04 


Em meados dos anos 30,  o Salão foi  para a rua Sete de Setembro, numa das salas inferiores do Hotel Accácio e passou a chamar "SALÂO DOS BANCÁRIOS".  Chiquinho continuou a acompanhar o pai e com 12 anos iniciou o ofício de Barbeiro e  Foto 05 -                    


continuou fazendo e aprendendo as dobraduras, inicialmente as mais fáceis, com poucas dobras. Foto 06


No final dos anos 30, o Salão ganhou novo endereço, rua Major José Inácio, entre as ruas Dª Alexandrina e São Joaquim, defronte aos consultórios  dos irmãos  Dr. Samuel e Dr Luiz Valentie de Oliveira* e voltou a ser "SALÃO ROSSI".  Naquele local, depois foi a Loja PFAFF, nos anos 50, a Sorveteria Romanelli nos anos 60 , a Refrigeração ALFEO nos anos 60 e 70, o Banco Real nos anos 80 e hoje, o  SANTANDER. *No local dos consultórios hoje, é o 1º Cartório de Notas.   Foto 07



E os origamis foram evoluindo. Foto 08

            
DO CENTRO DA CIDADE, PARA A REGIÃO DA 
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA      Foto 09




Em 1939, o SALÃO ROSSI mudou-se para a região da Estação Ferroviária, defronte a Praça Antonio Prado. Naquele local, nos anos 50 e 60  foi a Pauilliloptica e hoje a Móveis Bueno.  Foto 10


  Fachada da Paulliloptica.    Foto 10-1





E o Barbeiro que começou o ofício em 1934,  foi se refinando também nas dobraduras.                Foto 11  

Em 1945, o Salão mudou-se  para a rua General Osório, entre as ruas General Osório e Visconde de Inhaúma,  a 50 metros dos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, onde permaneceu como "SALÃO ROSSI" por 55 anos, até 2000. Do lado direito da Barbearia era o estúdio fotográfico "Foto Arte",  do fotógrafo José João, o "Alemão". e nas décadas de 1910 e 1920, naquele local foi o  HOTEL UNIÃO. Em 1952 o Sr Francisco Rossi faleceu e o Chiquinho herdou o Salão. Foto 12                                                                                                                                                                  



Com a habilidade e refinamento que foi ganhando, passou a fazer origamis com maior grau de dificuldade. Foto 13



Finalmente, em 2000, mudou-se para a rua Riachuelo,                                                                                        a 150 metros da Estação Ferroviária, onde se encontra há 14 anos. Até meados dos anos 80, o prédio fazia divisa nos fundos com a Serraria Santa Rosa. Foto 14 e 15                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Foto 16



Quando se chega na Barbearia, da rua, já é possível ver os origamis que adornam a janela, esferas estreladas, Tsurus ...Foto 17


e ao entrar, uma grande surpresa, parece que se está entrando em um ambiente oriental! Mesinhas, aparadores e prateleiras repletas de origamis, são centenas e centenas. De oriental, tem somente a aparência; o Chiquinho é descendente de italianos. Foto 18




Pendurados na borda de uma prateleira, lá estão vários estandartes de Tsurus, cegonha japonesa e ave sagrada do Japão  Foto 19



As vestes delicadas e hamoniosas  das bonecas são em papéis dobrados. Foto 20



As estrelas, em papéis metalizados se destacam  e sobre a mesa, uma quantidade  de origamis diferentes um do outro.   Foto 21



Aqui, esferas florais, estrelas, aranhas, Tsurus...Foto 22



tarântulas negras...,  Foto 23



bandejas e  galinha.  Foto 24



Muitas esferas florais e  Foto 25



Eléktricas, que segundo o Chiquinho, em qualquer posição, sempre   tem a aparência de caveiras, com os olhos, o nariz e a boca.  Foto 26





Os  representantes do cardume, Foto 27

as árvores de Natal  e os Tsurus.        Foto 28


Esse é bem brasileiro, o  papagaio, Foto 29




O  casal de Tsurus,   Foto 30


o pavão com toda a sua imponência  e  Foto 31



a coruja  com mais de 1500 pedacinhos de papéis dobrados. Foto 32


As avestruzes em tonalidades que se destacam e chamam a atenção.  Foto 33



A corujinha da sorte, é um origami pequeno e cabe no porta-moedas de uma carteira. O Chiquinho me contou que: "A corujinha tem que ser ganha, depois quem a recebeu, olha nos olhos dela e mentalmente faz um pedido em segredo e a guarda na carteira." Foto 34


Francisco Rossi Filho é o Barbeiro mais idoso e mais 
antigo de São Carlos-SP.  Se orgulha em ser o  único 
Profissional em  cortar os cabelos dos fregueses com
 navalha e entre a saída de um e a chegada do outro, 
vai dobrando papeizinhos para mais um origami. Foto 35
                                                  



No dia 22 de abril de 2014, quando o visitei, os papeizinhos, que ele chama de peças, estavam sendo guardadas    Foto 36


para produzir um cisne semelhante a este, com mais de 600 peças.  Parece fácil, mas para chegar a esse detalhismo, foram 82 anos!. A única aula lhe foi dada em 1932, no SALÃO AURORA. Certamente o Chiquinho se tornou o aluno mais aplicado do  Professor Archimedes Dutra   .   Foto 37      
PARABÉNS CHIQINHO POR SUA PERSISTÊNCIA E POR SUA ARTE!


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CRÉDITOS:
FOTOS:
01, 02, 03, 07, 09, 10, 10-1 e 12:  Acervo Valentim Gueler e Marina Dino dos Anjos
04, 06, 08, 11, 13, 14, 15, 16, 17,  18, 19, 20, 21, 22, 23, 
24, 25, 26, 27, 28, 29,  30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37 e vídeo: José Alfeo Röhm
05: Almanach Album de São Carlos 1916 - 1917
01, 03, 07 e 12: Tratamento digital - Marina Dino dos Anjos
PARTICIPARAM:
Maria Nazareth, Daniel e Lika Röhm

Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente, na Estação 63.
Abraços, Alfeo.

OBS: Se você tiver dificuldade em fazer um comentário na janela aí abaixo, entre como anônimo e cite seu nome e e-mail no final.
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Estação 61 - Uma Serraria A Vapor De 1908

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No   Álbum Ilustrado da Companhia Paulista de Estradas de   Ferro de 1918, consta o anúncio da      Foto 01   
                                                                            Foto 02



Foi fundada no mesmo ano que aquela Companhia inaugurou a reforma da Estação Ferroviária de São Carlos.  Foto 03 
Seus proprietários eram Francisco Ferreira,  Cônsul Honorário de Portugal em São Carlos-SP, e Antonio Martins Santiago.   Foto 04 


A família Ferreira morava na Rua Riachuelo, 147, residência que fazia fundos com a Serraria.   Foto 05   


Em 1918, a empresa tinha um quadro de funcionários elevado:               Foto 06 


No extrato fotográfico do painel sobre as serrarias, elemento este da exposição organizada pela Secretaria de Estado da Cultura - São Paulo, para a inauguração da Oficina Cultural "Sergio Buarque de Holanda", em novembro de 1990, em São Carlos-SP, há a citação das juntas de bois da  Serraria Santa Rosa. Cada junta é formada por dois bois, portanto para formar 400 juntas eram necessários 800 animais.   Foto 07 


A serraria, além de comercializar madeira bruta e desdobrada,  fabricava dormentes,   porteiras e mourões para fazendas, e esquadrias para a construção civil. Entre os anos de 1950 e 1970 fabricava também as caixas de madeira para resfriadores de leite para a         Foto 08  


que depois eram equipadas com conjuntos de refrigeração para atender as  fazendas da região. Foto 09


A Serraria localizava-se, estrategicamente, a 600 metros do Mercado Municipal,  200 da Estação Ferroviária de São Carlos e 100 do tronco ferroviário da CP São Paulo - Colômbia.   Foto 10



A Rua do Mercado, hoje, leva o nome de Geminiano Costa. Na foto, a vista da lateral da serraria naquela rua       Foto 11 


O extrato fotográfico 07 cita que a madeira era puxada por juntas de bois e levada para algum ramal ferroviário. Em  São Carlos tinham início dois ramais ferroviários, um para Água Vermelha e Santa Eudóxia e o outro para Ribeirão Bonito, ambos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Esses dois ramais abrangiam a maioria das fazendas do município.   Foto 12 


Depois, a madeira era colocada em vagões pranchas, movidos por locomotiva a vapor, e transportada até o pátio ferroviário de São Carlos. Da Estação saia um ramal que servia a Serraria, o Ramalzinho Santa Rosa.  Foto 13  


O ramalzinho cruzava a Rua General Osório, sentido Araraquara,  e num desvio, após uns 100 metros, derivava para a Serraria. A composição carregada de toras com poucos vagões, passava pelo desvio e depois voltava de ré,       Foto 14 



entrava pelo portão da Rua 24 de Maio,      Foto 15 


atravessava o quarteirão e saía no portão da rua Visconde de Inhaúma, defronte à Serraria.     Foto 16


Atravessava a rua e entrava na área de descarga daquela Madeireira.  Na minha infância eu ia com meu pai, Alfeo Cyro Röhm, para fazer as encomendas das caixas de madeira para os resfriadores de leite ou compra de madeira e via o trenzinho a vapor atravessar a Rua Visconde de Inhaúma e entrar de ré na serraria. Na foto, no centro, entre as linhas amarelas, provavelmente é uma locomotiva a vapor.     Foto 17 


A Serraria Santa Rosa gerava a sua própria energia, possuía um grande engenho a vapor que acionava um gerador de energia elétrica, marca WOLF, importado da Alemanha*. O mesmo energizava alguns motores que acionavam alguns eixos superiores tracionados por correias e estes, também através de correias, acionavam as máquinas.   Foto 18


Na área de descarga e armazenamento, muitas toras e muitos trabalhadores. A movimentação era realizada com o auxilio de alavancas e cordas.       Foto 19  


Para gerar o vapor para o engenho, havia uma grande caldeira e a fornalha da mesma era alimentada pela serragem e sobras de madeira. A chaminé que saia da fornalha era ponto de referência na cidade.  Foto 20 


O vapor moveu aquela Serraria e a transformou na maior indústria madeireira do Estado de São Paulo*.     Foto 21  


Para os compradores, o acesso às seções de produção era livre e assim, acompanhando meu pai, eu podia admirar a caldeira gerando o vapor para o engenho e este movimentando o gerador elétrico. Foto 22 


Com a desativação dos ramais ferroviários de Água Vermelha e Santa Eudóxia, em 1962 e de Ribeirão Bonito, em 1969, o Ramalzinho Santa Rosa também foi sendo desativado e as toras passaram a ser  transportadas por caminhões.    Foto 24 


Em meados dos anos 70, a Serraria foi desativada     Foto 25 


e   em meados dos anos 80,  foi vendida para a rede   Jaú Serve Supermercados, quando foi demolida. A chaminé durante bom tempo ficou solitária  no terreno vazio e finalmente também foi demolida. Foto 26


Desapareceu uma das grandes referências da cidade... Foto 27


Em 1988, naquele local foi inaugurada a grande loja Nº  22.        Foto 28

A SERRARIA SANTA ROSA NOS LIVROS

ALMANACH DE SÃO CARLOS - 1916-1917        Foto 29 


ÁLBUM ILUSTRADO DA COMPANHIA PAULISTA
DE ESTRADAS DE FERRO DE 1918   Foto 30 


ALMANACH DE SÃO CARLOS 1928  Foto 31 




AGORA, REPRESENTADA EM UMA MAQUETE FERROVIÁRIA 

Se passaram aproximadamente 40 anos e a Serraria ainda  se faz presente na memória daqueles que lá trabalharam e que hoje são no mínimo, octogenários e na memória dos são-carlenses saudosistas. Era um marco para a cidade que passou a ser lembrada apenas por fotos e alguns pequenos textos.   Mas, para rememorá-la, em 1999,  o maquetista Sergio Paulo Doricci a modelou, na escala 1:100, com todos os detalhes em sua maquete ferroviária temática. Nessa maquete estão representadas as principais ocorrências urbanas da região da Estação Ferroviária e também algumas da cidade, entre os anos de 1950 e a atualidade. Assim, é possível perceber o contraste existente entre o antigo e o novo.          Foto 32 



Um detalhe que chama muito a atenção na maquete é a chaminé da Serraria em miniatura, soltando fumaça. Para chegar a esse resultado, foram necessários muitas e muitas horas de pesquisa e testes. Querendo conferir, a maquete do Doricci fica exposta nos seguintes eventos:                                                                   a) Encontros de Ferreomodelismo de São Carlos na Estação Ferroviária - Estação Cultura.                      b) Semanas da Óptica do Istituto de Física da USP - São Carlos.                                                               c) Semana da Criança no Posto Castelo de São Carlos - SP 310 - Rodovia Washington Luís, km 222, sentido interior - São Paulo.        Foto 33      

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CRÉDITOS:
FOTOS:
 01, 02, 04, 05, 06, 08, 10, 11 e 30 - Acervo Valentim Gueler e Marina Dino dos 
Anjos - Álbum Ilustrado da Companhia Paulista de Estradas de Ferro - 1868-1918
03, 09, 32, 33 e vídeo: José Alfeo Röhm
07:   Marina Dino dos Anjos
        Projeto Museu de Rua "Memória de São Carlos" - Novembro, 1990
       Secretaria de Estado da  Cultura - São Paulo 
       Oficina Cultural "Sergio Buarque de Holanda"
       Cordenação de pesquisa e textos: José Albertino R. Rodrigues e Oswaldo Truzzi
12: José João - "Alemão" - Foto Arte
13, 14, 15, 16, 17, 22, 26 e 27: Acervo Valentim Gueler e Marina Dino dos Anjos:
18, 19 e 31: Almanaque Annuario de São Carlos 1928
20, 29: Almanache de São Carlos 1916 / 1917
21: Acervo Elza Davi Bragato - "Zaza"
24: MarcoAurelio Alvares da Silva
25: Paulo Roberto Perez
28: Google Mapas
PARTICIPARAM:
Maria Nazareth, Daniel e Lika Röhm
CONTRIBUIRAM:
Antonio Carlos Lopes da Silva
Sergio Paulo Doricci

FONTE: * São Carlos Na Esteira do Tempo - Julio Bruno e Ary Pinto das Neves - 1984


Obrigado por sua agradável companhia, nos encontraremos certamente, na Estação 62.
Abraços, Alfeo.

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